Buenos doce como sorvete Freddo

Ir pra Buenos Aires durou 4 horas, mas ficará pra sempre na minha memória ofativa, visual. Porque a Argentina é sensorial e me tocou. Há amigos que disseram ser feia, suja, velha, mas talvez foram as compras e chegaram no meio de história, nem perceberam Evita Peron escupida em ferro no prédio. Não era uma publicidade, era ela, eternizada, mães dos pobres.

Peguei o ônibus turístico pra conhecer Buenos mais rapidamente e sacar as primeiras fotos, depois, voltei pelos pontos principais. Vi as casas coloridas do Caminito e me perguntou como a pobreza em alguns lugares é cinza e em outros tem cor. Cor só pra turista ver. Cor pra vender a pobreza de maneira mais industrial, bonita? Pra ser visitada? Sem críticas, um país não nos acolhe pra sair com sermões.

No domingo, passeei pelas ruas e cruzei com a feira de San Telmo com artigos de couro. Uma urgência nos vendedores em nos empurrarem artigos não baratos como eu esperava. Mas, eles nos aguardavam com o preço que queriam tirar de nós. Um vendedor ambulante passa por nós e oferece marijuana. Não, tks… Foi isso mesmo que ouvi? Maconha? Era só as costas de um vendedor de picolé sumindo na esquina.

Tem Obelisco, Casa Rosada preparada com grades para conter manifestações, tem todos os museus, universidades com colunas gregas faraônicas… Mas, eu queria conhecer a Buenos chique, fina, bonita. Então, tomamos o metrô (muito sujo) pra Palermo e Recoleta. Sim, lindíssimo e doce como o sorvete Freddo que é tudo que todos falam e o melhor do mundo como todos prometem. Um cholocate no Havanna para os amigos e por fim o jardim Japonês. Um pastel no bar San Juanito e finalizando com um jantar chiquérrimo na Cabana de Las Lilas no Porto.

Eu sentei ao ar livre em silêncio, abaixo de uma árvore e fiquei ao lado do meu amor, mãos dadas, olhando a água, a ponte vermelha, ouvindo os sons. Um mundo distante com tango, com doce de leite, com vinhos… Era preciso se esvaziar das origens, se deixar permear pela Argentina.

O estádio La Bombonera? Sim, é de parar o coração. Amei o museu que conta a história do futebol imersa na retrospectiva política. Perfeito.

Linda, me cativou e vestiria sua camisa azul com carinho. Sem rancores típico de brasileiros que nunca foram a Buenos e não sabem do que falam. O Brasil é mais que futebol e a Argentina também.

 

 

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