Desconfiança no Amor - Li Mendi

A privacidade dentro dos relacionamentos e o ciúme corrosivo

Por algum motivo ele precisou dar a senha da sua conta de e-mail para sua namorada checar um dado para ele e esqueceu de trocar a senha. Como a curiosidade é um bichinho que corrói, ela acaba aproveitando para verificar a caixa de e-mails recebidos e enviados e não se agrada com o que vê. Neste momento surge o impasse: conta ou não para o namorado que fuxicou sua correspondência? Se não contar, como poderá discutir a situação? Já dizia a vovó, que o que o que os olhos não vêem o coração não sente. Mas se cegar também não é a solução a que proponho.

Privacidade é assim um tema controverso. Cada casal propõe o seu modelo. Uns delimitam o seu espaço do tamanho de um campo de futebol, outros não chegam nem ao de uma mesinha de totó. A sensação de segurança de que o outro não está fazendo algo considerado errado dentro da relação não está na mesma proporção do tamanho da privacidade imposta. Porém: “Quem tem muito a esconder, teme o que pode revelar”.

Mulheres neuróticas, que vasculham tudo como se procurassem em qualquer papel a prova de um crime, não são pouco raras. Você pode até sentir-se aliviada por não se considerar parte das estatísticas, mas não pense que cair na paranóia pode estar longe do seu caso. Basta um deslize para que nunca mais a paz esteja inabalável. A mulher freqüentemente desconfiada acha que seu parceiro não tem mais o direito de ter sua privacidade.

Não posso afirmar categoricamente que a opção de alguns casais de considerarem tudo na vida de ambos de conhecimento dos dois (inclusive senhas de e-mails, de msn e etc) seja um erro, afinal, o amor não é uma fórmula, cada um constrói o seu universo de relacionamento com as perspectivas de ser feliz.

Depois de um período de perseguição investigativa, o homem ou a mulher começam a reclamar que estão se sentindo sufocados e caem na precipitação de culpar o amor, julgando que ele acabou e que só resta o ciúme doentio. Nem sempre estarão eles próximos do fim, o que falta é o respeito pela chance do outro de fazer coisas apenas dele ou dela, sem que exista um olho de “Big Brother” para supervisionar tudo. Uma família de porcos espinhos resolveu se aquecer do inverno ficando todos abraçadinhos. Por estarem muito perto, acabaram se ferindo com os próprios espinhos. Ao se afastarem demais, sofreram do frio intenso. Descobriram, assim, que o melhor método é estar perto, mas respeitar a zona de limite. Essa historinha de criança sempre vem à tona, quando penso a privacidade dentro do relacionamento. Sem esta linha limite, o outro pode sentir-se invadido dentro da sua área de decisões e escolhas. Então, a melhor atitude é deixar o parceiro fazer o que quiser e nunca verificar nada?

Claro que não! Se tem uma luzinha vermelha que não pode parar de piscar dentro de você é o “desconfiometro”. Preste atenção nos detalhes, nas palavras, nos lapsos dos discursos. Mas não entre em paranoia. A grande diferença é saber que a luzinha está dentro de você, não “fora”, afinal, ninguém precisa ver um show de quebra de garrafa e de cadeiras voando pela janela, porque você encasquetou com algum motivo infundado. Há mulheres que são traídas por anos e se sentem admiradas como “nunca perceberam”. Difícil que ela nunca, nunquinha, nem um diazinho sentiu sua luz vermelha assinalar para algum movimento fora do normal. O problema é que se cegar é um dos passos mais comuns para não se sentir ferida.

Só não se esqueça, que os grandes males da sua vida nunca virão a acontecer, serão apenas ideias e hipóteses na sua cabeça que você irá remoer por um tempo e nunca dará em nada.

 

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