Blog da Li Mendi

Construa seu diferencial

Traumas nos ensinam muitas lições, principalmente, a mudar a rota da vida. Me lembro mascando a caneta diante de uma prova de estágio para jornalismo da Globo que perguntava questões de conhecimentos gerais sobre futebol. Mas, para mim, havia ali muitos assuntos específicos! Eu não entendo bem de futebol, porém, isso era sacrilégio como jornalista. Você tem que ser um mini google. Se pelo menos não souber tudo, tem que saber o nome de alguém, o ano ou básico. Mas, o básico de tudo é Flórida… Eu sai da prova muito mais preocupada com a escolha que fiz para a minha carreira do que com a avaliação em que eu tinha ido mal. Se eu havia escolhido com tanta certeza jornalismo, então, seria duro cair na real de que a certeza foi movida pelo misto de sonho e fantasia.

Veio o trauma. Você achou que o trauma foi não passar para a Globo? Not. Então, estava eu cobrindo um evento literário de uma grande instituição de saúde, na qual trabalhava na assessoria de imprensa, quando me vi correndo atrás de um monte de figurinhas famosas que me davam a costas como estrelas. E minha chefe batia o dedo no relógio para indicar que eu teria pouco tempo para entregar a matéria pronta até o fim do dia. Foi aí que eu entendi que era chato ser repórter como ganha pão.

Eu estava só no oitavo período da faculdade! Só pegando meu canudo. Só me formando! Chorei porque chorar é normal. Mas, decidi que ia começar outra faculdade depois de me graduar em jornal. Algo que envolvesse a minha criatividade, que lidasse com imagens, com arte. Eu podia estar fantasiando outra vez. Ou fugindo, como fui acusada. Porém, eu estava tentando! E tentar é melhor que estacionar onde você já sabe que é um erro.

Foi quando fiz Publicidade e Propaganda. Lembro da minha entrevista de estágio em uma sala lotada de bons candidatos novinhos. A recrutadora perguntou: “Por que devemos contratar você que já é formada em jornalismo e pode sair a qualquer momento para ganhar muito mais?” Eu respirei fundo e respondi: “Porque eu descobri que jornalismo não é o que quero seguir e eu quero essa vaga mais do que ninguém aqui, porque eu vou dar muito de mim e estarei muito realizada, tem a minha palavra que não vou abandonar essa oportunidade por outra de jornalismo”. Eu senti olhares de ódio, mas, achei-os ingênuos. Afinal, era muito mais fácil selecionarem alguém mais novo… E não é que me escolheram? Pulei feito pipoca!

Aprendi demais e me formei muito feliz, beijando meu canudo. Adoro trabalhar com vídeos, imagens, mídia etc. É muito fun. Tem sim burocracias, planilhas de excell, reuniões chatas, mil compromissos, trabalhos até de madrugada. Mas, curto! E ganho muito melhor do que em jornalismo. Apesar de não ter mudado pelo fator dinheiro.

Foram oito anos de faculdade para mim. Porque cada um tem seu tempo… para se descobrir. O importante é ter força para renascer. Saiba muito sobre o que você não gosta, porque isso define crucialmente suas rotas. Saber o que te satisfaz te multiplica caminhos, o que te frustra, elimina caminhos desnecessários!

Esse marco na minha vida me fez estar disposta a sempre mudar e tentar. Tentei ser escritora e publiquei meus livros modestamente com os esforços e finanças que eu possuía. Estou com um projeto novo que amadureço na minha cabeça e não posso contar ainda que envolve outro campo do conhecimento…

E nunca vou esquecer o que Artur da Távola dizia: “Posso não saber o que muitas pessoas sabem. Mas sei e sou o que muitos não sabem”. Sempre lembro disso para não ter que conhecer tudo, de todos os assuntos e ser uma heroína. Um dia um gerente da empresa em que trabalho me perguntou a área de alguém que eu não sabia. Ao ouvir de mim que eu não sabia, ele me fez uma severa crítica. Então, respondi “eu também sei muitas coisas que você não sabe”. Eu não devia ter dito!!! rsrs. Mas, foi espontâneo…

É isso. Quando alguém te diminuir porque você não sabe de algo, não ligue. Você também sabe muitas outras que ela patinaria! Construa seu diferencial.

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