Histórias em órbita

É difícil ser livre, quando sobre os ombros de um autor há centenas de leitores. Quando se compromete só com eles, deixa de ser autor. Quando se compromete só consigo, pode nunca vir a ser um autor, pois catarse pura e simples não é criação. Mas, quando o autor consegue silenciar-se por alguns meses para se deixar ouvir apenas os personagens, como um mero redator sentado à beira da cena, descrevendo, aí sim ele começa a fase de amadurecimento.

O importante nas críticas não é se elas mudam você, é se elas não te fazem parar. Um autor pode escrever livros ruins. Ele não pode é parar, por isso. Nem todos os dias faz sol e arco íris na mente de quem escreve. Ele dá um pouco de sangue a cada capítulo, mas, mesmo assim, é punido por isso, quando não acerta. É seu destino ser devastado por críticas, sugado por personagens e ter poucos sorrisos com alguns elogios que lhe tocam.

Mas, até quando chove, a água lava e traz com sua força novas idéias. Numa outra manhã, ele pode amanhecer para escrever uma grande estória. Porque em torno de uma história estrela, orbitam também pequenas histórias satélites. O céu de um leitor não é feito só de uma única estrela, de um único livro.

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