Blog da Li Mendi

Mimos inconfessáveis

Lucy:

_ Ajudem-me, estou me sentindo um E.T.

Meninas, qual o conceito de “mimo inconfessável” para vocês? Quero dizer, o que você considera tão íntimo ou tão degradante que merece o rótulo de inconfessabilidade estampado em vermelho, ou melhor, em néon?

Li:

_ Como assim?! Inconfessabilidade, que palavra difícil! (risos)

Lucy:

_ É engraçado como as pessoas na era “moderna” vêem as atitudes. Para que vocês possam me acompanhar, eu explico melhor. Eu estava navegando feliz e contente pela internet quando encontrei uma enquete no site O Globo Online que diz assim…

Li:

_Pára tudo, Lu! Me espera! Deixa eu abrir o site e ver o que diz. (abrindo o site…) Hummmm. Está aqui:

Qual destes ‘mimos inconfessáveis’ você, mulher independente, é capaz de fazer pela pessoa que ama?
• Fazer o prato dele
• Passar a camisa
• Cortar as unhas do pé
• Escolher a roupa dele
• Ajudá-lo a comprar roupas
• Dirigir para ele
• Trazer os chinelos
• Coçar as costas dele
• Pegar um copo d’água no meio da noite
• Fazer a barba dele
• Estender a toalha molhada dele
• Pregar o botão da camisa

Lucy:

_ Reformulando a primeira pergunta, no início do texto: você, mulher independente, acha que algum dos itens apresentados na enquete pode ser considerado “mimo inconfessável”? Algo inconcebível, que cause vergonha, para uma “mulher independente”? Algumas dirão que sim, outras, que não. Eu digo que não, e mais: para mim, a enquete não tem razão de ser. Faço todas as atitudes descritas nos itens com orgulho e sem preconceito porque ele é o homem que eu amo e creio ser merecedor do meu tempo, da minha atenção e do meu cuidado. Se eu o amo, devo zelar por ele. E eu sou independente.

Não consigo ver essas atitudes como “mimos inconfessáveis” para uma mulher “independente”, entendem? Ao contrário disso, exatamente por ser independente, faço tudo isso por ele. Não é mérito meu, é dele. Se ele não merecesse, eu não o faria. É nesse ponto que entraria minha independência, de não precisar me sujeitar aos caprichos de um homem que não zela pela minha segurança, não me trata com respeito, carinho e atenção, talvez até goste de surrar mulheres, enfim, alguém que não merece o meu respeito. Não vou precisar me sujeitar a isso porque sou independente, financeira e emocionalmente.

A mulher independente não é uma rebelde que não segue ordens de ninguém. Ao contrário, ela é disciplinada, inteligente e sabe respeitar as autoridades. De outro modo, ela não seria independente. É aquela velha história de que é preciso aprender a seguir ordens para poder comandar. A mulher independente cresce aprendendo a respeitar a autoridade dos pais, dos professores e por aí vai, até o momento em que conquista a autonomia para se sustentar sozinha, desenvolveu um olhar crítico e a sua opinião é original. A mulher independente não é solitária. Ao contrário da mulher dependente, ela aprendeu a viver em sociedade, a não fazer das pessoas a sua muleta nem seu degrau de escada. Aprendeu a andar com as próprias pernas.

A mulher independente sabe o que quer, aonde ir e até quando ficar. Mas, é um ser humano. Precisa se socializar. E, como todos, precisa de um amor para colorir sua vida. A mulher independente que possui a consciência do que acabo de descrever nos parágrafos anteriores será uma esposa ideal, porque saberá os seus direitos e deveres. Saberá, mais do que qualquer pessoa, qual a sua função dentro de uma família, compreenderá os limites próprios e os do companheiro. Saberá conquistar a confiança e o respeito e será, sem qualquer dúvida, feliz em qualquer relacionamento que resolver investir.

A independência se traduz emocional e financeiramente. Isto, sim, é independência. A mulher independente “Optimus Prime” é vencedora por natureza porque sabe como conquistar o que deseja sem desrespeitar as leis, nem passar por cima dos outros. Já a “Megatron”, ainda que totalmente independente de tudo e de todos, assim o é por aparência, porque em seu coração sabe que lhe falta algo. Ninguém se mantém sozinho por muito tempo. Como eu disse, somos seres humanos e a nossa natureza é sociável.

Li:

_ Lu, eu não te interrompi suas palavras sábias, porque posso fazê-las minhas. Penso, onde mora a compaixão? “Sofrer com”? Se a pessoa sente sede, por que não posso ceder um pouco de mim e trazer um copo de água? Por amor, por carinho. O problema não está em o que se faz, mas o sentimento que nos move a fazer. Se a pessoa sente que está sendo oprimida, então, deve reparar no modo como o homem está lhe pedindo as coisas.

As mulheres abraçaram a causa da independência sem limites, de uma forma que o calor humano se perdeu. Servir ao outro virou um pecado, um sacrilégio. Minha mãe tem uma frase belíssima: “Quem não serve para servir, não serve para viver”.

Lucy:

_Como afirma o poeta…

Vou te contar
Os olhos já não podem ver
Coisas que só o coração pode entender
Fundamental é mesmo o amor
É impossível ser feliz sozinho
O resto é mar
É tudo que eu nem sei contar
São coisas lindas que eu tenho pra te dar
Vem de mansinho a brisa e me diz
É impossível ser feliz sozinho
Da primeira vez era a cidade
Da segunda o cais e a eternidade
Agora eu já sei
Da onda que se ergueu no mar
E das estrelas que esquecemos de contar
O amor se deixa surpreender
Enquanto a noite vem nos envolver
Vou te contar
Os olhos já não podem ver
Coisas que só o coração pode entender
Fundamental é mesmo o amor
É impossível ser feliz sozinho
O resto é mar
É tudo que eu nem sei contar
São coisas lindas que eu tenho pra te dar
Vem de mansinho a brisa e me diz
É impossível ser feliz sozinho
Da primeira vez era a cidade
Da segunda o cais e a eternidade
Agora eu já sei
Da onda que se ergueu no mar
E das estrelas que esquecemos de contar
O amor se deixa surpreender
Enquanto a noite vem nos envolver

Li:

_Não vale! Eu amo essa música! Agora vou ficar com ela cantarolando na cabeça.

 

 

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