Blog da Li Mendi

Não pensar apenas em si

Saudade é entrar na sala e de repente me dar conta que você não está, porque o instante tenta reacontecer na lembrança e não consegue. Por isso, dói.

É estranho você aqui todos os dias, ao meu alcance e em questão de horas estamos a tantos quilômetros de distância. Não posso, mesmo querendo com todas as forças, sentir seu abraço forte e colar meu nariz no seu.

A sala grande, vazia, onde está o seu laptop, onde está você concentrado em alguma coisa importante para eu te roubar um beijo no pescoço? Parece tão injusto aos que se amam de verdade ser privado da presença física do seu parceiro, com tanta gente por aí desperdiçando a chance de ser feliz, brincando de se relacionar.

Nós, diferente, por sabermos do valor incalculável de um abraço e de um beijo, conseguimos sentir um amor maior. As pessoas hoje em dia querem uma transa rápida, uma ficada sem compromisso, há um medo e receio de ter que se doar, de ser fiel, de se desprender. Vejo cada vez mais egoísmo no coração das pessoas e também em suas visões sobre uma vida a dois “sem perdas”.

Para mim, pelo menos, que amo um militar, a vida está me ensinando grandes lições sobre deixar de pensar só em mim e olhar como é estar do outro lado. Aos poucos, a paciência torna-se uma virtude e um comportamento que evita reclamar das dificuldades. Aprendo que não posso ter o que quero e que tenho que tirar de mim as forças que não imagino ter para seguir em frente. Não é fácil, vejo muitas abandonarem o barco pelo caminho, ouço os espectadores à margem, torcendo contra “Pula! Pula!”.

Quando me reencontrei com a casa vazia, senti que ia explodir em lágrimas. Respirei fundo. O que adianta se descabelar, enterrar a cara no travesseiro? Arrumei a cozinha, dobrei as roupas do varal, limpei a casa. Fui ocupando as mãos para que a cabeça não fizesse o corpo padecer.

A saudade ainda está muito forte, a faxina não a diminuiu. Taí uma ótima estratégia que venho aprendendo: não adianta colocar nada no lugar de quem ama, como também não adianta menos ainda o reverso, colocar minha tristeza nas coisas que estão fora de mim.

Tento fazer dessa tarefa de transformar a dor em bons atos uma filosofia de vida. Imagine se a cada vez que eu sentir que tudo está difícil para caramba eu começar a praguejar contra os sete cantos palavras de derrota? Eu vou cavar o meu próprio buraco e puxar as outras pessoas junto.

Lembram que eu falava agora pouco do egoísmo? É egoísta pensar apenas na minha saudade enorme e infernizar a vida dos que precisam de mim com lamúrias. Nem sempre consigo, não sou daquelas que buscam a perfeição, mas que se esforça para não ter pelo menos atitudes pessimistas.

A vida é um ponto de vista. Eu poderia, por exemplo, ver esta semana de duas maneiras.

Tirei dois sisos, comi sopa gelada de liquidificador, fiquei de cama alguns dias morrendo de dor, sem poder falar. Tudo isso justo na semana que meu namorado está de férias aqui.

Ou.

Tirei dois sisos, pude contar com o apoio do meu namorado, que baixou vários filmes para a gente ver, já que eu não podia sair de casa. Ele ficou ao meu lado marcando o horário dos remédios no relógio, segurou minha mão, enquanto eu chorava de dor, me fez companhia até eu dormir e não me deixou nenhum segundo.

Como podem perceber, nem sempre é pela alegria que a vida nos dá oportunidade de enxergar certas lições. Às vezes, pela dor ela pode se tornar inesquecível. Agora que estou melhor, ele se foi. Que ironia do destino.

Preciso tanto dele, mas não o tenho, está tão longe. Mas a vida segue e eu vou seguir firme e forte com minha missão de ajudar as pessoas.

Estou com saudade de vocês. Como eu não podia ficar de cabeça baixa, evitei o computador. Mas já estou de volta com o meu romance da Bela e também com o meu livro de entrevistas.

 

3 respostas

Deixe uma resposta

Quer fazer um comentário?
Sinta-se livre para contribuir!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *