Blog da Li Mendi

Seja a mudança que você quer pra sua vida

Eu sonhei em ter um apartamento lindo, de boneca, completamente mobilhado com a melhor decor possible quando me casasse! Trabalhei, lutei e fiz tudo que eu queria. O trânsito também fez tudo o que quis comigo. Pois, para sair da minha casinha de boneca para ir ao trabalho, chegava a gastar quatro a cinco horas diárias dentro do transporte lotado, em pé, com calor. Não tenho carro, mas, se tivesse, não mudaria o trânsito, só iria garantir sentar e estar com ar.

Todo dia eu agia como um robô. Levantava, comia correndo, me arrumava correndo e entrava no trânsito. Trabalhava exausta e estressada e voltava como robô para casa. Não havia prazer na vida, perdi todo o sabor. Só via meu marido de 22h às 23h, que era o momento que eu queria só tomar banho, comer e me arrastar para a cama como uma doente. Meu cérebro ficou programado pra acreditar que aquele era o único caminho e não havia novos lugares pra morar, novos meios de transportes, novos caminhos, além do meu zumbi way of life. Eu chorava, ficava em depressão, me sentia como escrava da vida.

Mas, quando a dor de mudar é maior que a dor da mudança, mudamos, como diria Freud.

Eis que o meu corpo tentou conversar com o meu cérebro. Tive uma síndrome chamada de síndrome do intestino irritável. Toda vez que eu atingia um pico de estresse, me dava uma dor de barriga alucinante. Visto que o meu estresse e infelicidade atingiam em progressão geométrica o máximo, eu passei a não suportar segurar nada que comia. Eis que passava muito mal todos os dias.
Me vi chorando no banheiro do trabalho e em casa de madrugada. Lembro de dores horríveis, cólicas que não tenho palavras pra explicar. Então, chegou uma gastrite severa que me acordava de noite também. Eu apertava a barriga, sentada no escuro do meu quarto e perguntava por que isso estava acontecendo comigo. Eu ainda não entendia que eu era dona da minha história, eu deveria ser a mudança que desejava para minha vida!

Eu não sou apegada a bens materiais, mas, havia uma luta emocional para ter construído tudo que eu construí no meu apartamento próprio. No entanto, eu valho mais do que as paredes, do que aquele papel de parede, do que os lustres brilhantes ou a parede de espelhos. Só que isso é a lição que a Li de hoje aprendeu. Aquela ainda estava em prantos, emagrecendo sem parar e ficando com o rosto de cadáver.

Mesmo tendo que descer do ônibus pra sair correndo pra qualquer lugar, passando muito mal, eu ainda aguentava. Ser forte para mim foi o que me ensinaram. Porém, tem horas que ser forte é abdicar, é ceder, é se desligar. Não é perder. É escolher outro objetivo por que lutar!

Um dia levei três horas para chegar ao trabalho de táxi. No dia seguinte três horas e meia. Todas as obras no meio do meu caminho consumiam meu tempo vago e agora consumiam também toda a minha saúde, a minha vida, o meu sorriso.

Eis que no fim desse segundo dia, além do turno da tortura matinal, eu peguei 3 horas de noite no maior temporal do mundo. Quando desci do ônibus, estava completamente molhada e o guarda-chuva não sustentou. Lembro de ter andando com dificuldade contra o vento, descalça, com o sapato nas mãos, pensando que tudo na minha bolsa estava molhando. A chuva batia com muita força no meu rosto.

Eu sei que era Deus jogando água fria pra ver se eu acordava pra vida!

Cheguei em casa suja, molhada, muda. Meu marido abriu a porta e tomou um susto. Lembro que ele me perguntou “Aconteceu alguma coisa? Fala! Alguém fez algo com você?”.

Eu só disse “Vamos nos mudar daqui, eu não aguento mais.”

Isso significava um monte de consequências: sair de perto da minha mãe (vizinha de porta), largar o meu apartamento próprio lindo e todo modulado sem poder tirar nada de dentro além de roupas e documentos; alugar um apartamento por quase o dobro do valor que conseguiria nesse; abandonar minha querida amiga personal que amava e me dava aula naquele bairro; sair de um condomínio incrível para servir ao futuro filho que queríamos.

Por que não larguei o emprego? Porque eu gosto muito do que faço e porque não queria ficar desempregada em casa em depressão.

O dia da mudança foi surreal. Chorei arrumando tudo, mas, eu não estava lá na hora de tirar os móveis. Eu não quis. Simplesmente era demais. Minha mãe e marido fizeram tudo. Foi muito triste mudar. Mas, eu devia ter saído as gargalhadas se soubesse como foi a atitude que me transformaria!

Então, eu cheguei ao apartamento novo. Desculpe novo é modo de falar. Era antigo, com móveis velhos, piso estranho, teto altíssimo, virado para uma enorme bananeira da casa do vizinho. Era só estranho. Então, sentei no pedaço do sofá que deu pra trazer desmontado, olhei em volta e pensei: caramba, eu mudei. Mas, foi só um deslocamento físico, aquela alma velha e doente ainda estava dentro de mim! Meu marido sentou do meu lado, pegou minha mão, vendo que estava com uma cara de outro planeta e disse “levamos da vida só a vida que levamos e nós somos nossa casa, não importa onde a gente esteja”.

Era a partir de agora que haveria a mudança interior. Primeiro dia, acordei, tomei banho e tinha tempo pra fazer o que quisesse. Andar de bicicleta, malhar, ver tv, ler, escrever ou dormir mais. Havia um tempo que eu nem sabia o que era nos últimos cinco anos! Fui para o trabalho e em quinze minutos estava lá. Cheguei em casa as 18h, quatro horas antes de antigamente. Logo? Tempo. Tempo. Tempo!

Três dias e nenhuma dor de barriga mais. Nenhuma crise de choro de dor. Nada.

Consegui me matricular em uma academia nova e encontrei uma querida personal que está comigo há um ano. Para pagá-la, retirei as unhas de acrigel, os luxos de algumas roupas aqui ou sapatos ali. Eu elenquei a minha prioridade: saúde! Ficar sarada, cheia de energia!

Voltei a meditar, a rezar, a ler meus livros espíritas que amo, a cuidar da minha espiritualidade, porque novamente tinha equilíbrio e ordem entre minha cabeça e meu corpo. Então, comecei a ficar mais zen, calma e tranquila no trabalho. Sabe quando você volta de férias e parece até meio absorta, fora do ritmo? É assim minha vida agora: eu não espero as férias para ser feliz, minha vida é férias todo dia! Eu vivo com cara de férias. Posso até te irritar com isso hahah.

Meu marido me apresentou a seriados de tv novos esse ano. Eu chego, deitamos na cama com pipoca e ficávamos ali curtindo, rindo e acompanhando nossas séries preferidas. Vamos pra academia juntos, saímos para jantar no meio da semana e pegamos um cinema nas quartas.

Quando eu estava bem veio vários problemas pesados no trabalho, descobertas ruins sobre algumas pessoas. Só que a minha mente, a minha vida e os meus objetivos estavam alinhados. Eu ERA uma mulher feliz, sorridente e segura sobre o meu corpo e minha mente. Então, o que era externo a mim não me derrubaria. Comecei a ver que a nossa volta há pessoas infelizes, frustradas, que reclamam de tudo, odeiam o mundo, passam o dia para falar mal dos outros. Só feliz para perceber que o outro que quer nos destruir não está bem consigo mesmo. Então? Dou-me ao direito de ignorar.

Eis que começo a estudar um pouquinho neurolinguística. Ler, ver vídeos, conversar com amigos sobre o tema. Então, mergulhei no meu passado, nas minhas âncoras da infância e entendi diversas reações, travas emocionais, programas mentais. Foi a revolução, o furacão na minha vida.

Agora, eu consigo me perceber no mundo, ver minhas fraquezas e perguntar a origem do gatilho que as provoca, questionar o que me dá medo e a origem do medo. Então, eu digo pra mim palavras de sucesso, de prosperidade e coragem e me desafio a superar medo por medo. Comecei a escrever bilhetes pela casa para mim mesma. Não é “Não coma carboidrato”. É “Li, linda, compre frutas que acabou. Você irá ficar com uma pele mais linda”. Eu comecei a me organizar para o sucesso, a me querer bem e me ver vencedora.

Eu hoje tenho tempo pra ver que sou um ser agente. Não sou um zumbi. Não sou passiva, tenho que ter opinião própria, personalidade, estilo, marca. Eu quero ser uma “marca de luxo”, no sentido de que não se encontra igual por aí, que é raro, diferente.

Não gostaria de ser um zumbi inanimado, mas, eu não sabia tomar uma atitude racional, antes de chegar ao extremo. Foi preciso que meu corpo gritasse pra me indicar que estava tudo errado. Agora, isso acontece de forma ativa e antecipada.

Aprendi tantas lições que não quero contar em um único texto. Vou dividir em várias mensagens para minhas amigas. Espero que toquem o coração de vocês.

A síndrome não passou totalmente. Raramente passo mal, mas, acontece. O meu corpo ficou sensível a alguns alimentos. Mas, agora, estou tomando suco de laranja, o que era impensável! Rs. Adquiri também nódulos na tireoide que estão por enquanto controlados. Por isso, meu foco em saúde é quase obsessivo. Só que inclui a cabeça nessa vibe também.

Sinto saudade de onde morávamos, mas, quando lembro do trânsito, eu vou ler ou dormir. Quando sinto saudade de morar perto da minha mãe, eu lembro que posso ter tempo pra minha nova família. Quando sinto saudade do conforto, eu lembro que posso ler ou dormir. Quando eu lembro que agora tenho bem menos dinheiro, eu lembro que o tempo não é dinheiro. Porque o tempo tem mais valor que dinheiro. Porque tempo É VIDA.

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