Príncipe Encantado atrasado Li Mendi Romances

O príncipe bate a porta e não é recebido

E ficava toda a vida lamentando nunca o tal príncipe chegar. Ele vinha para a amiga, vizinha, prima, até para a feia do fundo da sala, onde diabos estava o seu? Ela resmungava sobre sua solidão inevitável, sofria cada término de namoro. Todos lhe eram tão impossíveis, tortos, errados, aquém. Nenhum, com o tempo, se transformava nas projeções que fazia em sua cabeça, ai batia a frustração que lhe servia muito bem como uma comprovação de que era para ficar só. O ser humano tem dessas loucuras de procurar provocar na vida provas do que não passa de especulações em sua própria cabeça. Um processo inconsciente, lógico! Nem todos estão preparados para felicidade. Quando ela chega a porta, com um “bom dia, meu nome é príncipe”, isso dá medo. Então, pondera que não é a hora. A janela fecha. Quantas mais se abrirão ainda?

É preciso querer ser feliz, fazer essa opção, dar a cara a bater, colocar o nariz na rua e tentar. Nem todos vão encontrar a felicidade em vida, isso é tão triste. O que não quer dizer que ela não veio sobre várias formas e pessoas, tentando entrar, mas sendo impedida por um projeto profissional, uma viagem, um emprego…

Quando você realmente quer ser feliz, você bate de frente com o problema, arruma dinheiro, deixa que paguem a conta, pega dois ônibus, arruma tempo no meio da agenda espremida. Quando não quer, nem adianta o príncipe bater à porta, não vai enxergar.

Sabe o que me dói hoje? Como um nó na minha garganta? Conhecer uma pessoa assim e nada poder fazer para ajudar-lhe. Silenciar e deixar… Não se pode tirar o direto a opções dos outros, nem que a vontade seja gritar para que acorde. O príncipe se vai, achando tudo muito estranho, como um entregador de farmácia que não entende porque a pessoa não aceitou o remédio que ela mesma pedira para vir!

A vida é tão injusta. Não, ela é justa. Bem justa. São as pessoas que não são justas consigo mesmas.

Triste. Hoje estou triste por outrem. Sabe a vergonha alheia? Eu sofro da tristeza alheia.

Suspiro.

Li Mendi.

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